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modelações XXII





Sou a voz duma caminhada pelo ligeiro vento; o dia está claro a perder-se nas secas ervas, ou ainda, nos muros das pedras antigas e cinzentas; estar aqui é o troar sussurrante de um tempo antigo, de pastos maduros ao sol, de constelações de dias leves como penas, de longos desafios de nada; a correia do tempo percorrendo as veias silenciosas dos mares sem ociosas navegações, sem caprichos de ondas rolantes onde a tristeza breve esmorece ao contacto com os olhos; olhos abertos sem intrigas vorazes desafiando os monstros da imaginação, sem segredos cáusticos agitando os nervos deste corpo de luzes brandas, aqui pousadas; os muros enredados e sobreviventes aos destinos dos homens abrindo feridas de desmoronamento no silêncio das pedras calcinadas, abordam o espaço pelo lado de fora, trabalhando na extensão do olhar; – sou o teu músculo pousado e ferido alongando a consternada brevidade da vida, isto dizem, num silêncio calcinado de luz cinzenta endurecida por um tempo sem tempo, morto tempo!… nada há de tão breve como a fugidia noite enlaçando as sementes que rugem ou os castigos em ebulição, lamentam os valados enredados nas divagações campestres. 

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